terça-feira, 19 de março de 2013

Conversa para apurar o caso de um poema que nasceu sem dor

Pariu um poema
Sem dor, ele disse
Eu disse, mentira!
Como pode um poema nascer
Sem dor?!
Os poemas nascem do amor, ele disse
Mas como o amor correspondido na felicidade
Tem tempo a parir poemas!?
 O amor dá conta, ele disse
Que amor é esse, pois, que anda sumido?!
Não sei, mas ele pariu um poema hoje, respondeu
Parir um poema sem dor, então, é coisa rara!
Retruquei
O poema nasceu, Nicolau!
É hora de celebrar
Só assim, parindo filhos, o amor há de surgir
E proliferar
Tu tens razão, ainda que o amor não sobreviva na razão
Estás a pensar, por isso, não dás vez ao amor
Quando souberes de qual matéria prima é feito o amor
Ele há de te engravidar também, disse
Será que eu posso também escrever um poema de amor
Sem dor?!
Perguntei
Hás primeiro de trazer a ti um sentimento diferente
Quem sabe ele te dirá!
Tens razão, que a razão é sempre tua companheira,
Ao dizer que a poesia pode nascer da dor
E que há amor na dor
Mas o amor também dá conta disso
Mas de tantos em tantos, é verdade,
Há de nascer poucos filhos pródigos
Que hão de trazer de volta à tua casa
Um amor sem dor
Quanto ele viverá, eu não sei
Mas faz dele o teu poema, registra-o
Como a foto do teu filho criança
E guarda para ti como lembrança
O amor é raro
Por isso aprendemos a parir poemas
Para celebrá-lo
Ressaltou
E eu, calei

!


te quiero
um beso
do fundo dos olhos
onde o movimento não vê

te quiero
un abrazo
de perto
donde o silêncio é guia

te quiero
una sonrisa
das palavras que abraçam
o que o corpo não alcança

te quiero
un afecto
do teu sorriso maior que a boca
onde a boca não cala ao dizer


te quiero

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Como uma pedra nadar


E eu continuo aqui
Parado como uma pedra
Imóvel, espero que você me destrua
A golpes de marreta
Sou como a lua que você julga sorrir 
Mas que é estéril
Você se julga correta?
Quanta poesia você vai me dispensar?
Não percamos seu tempo
Tempo é o que não temos
Eu continuo aqui, no mesmo lugar
Querendo ser água e correr para o mar
Ao menos me jogue no rio
Preu afundar
Preu afogar
Nade comigo ou siga sozinha
Mas não me deixe aqui
Imóvel, à beira do rio 
Me transforme em pó e me lance nas águas
É o que resta quando crer mar