segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O soneto do Andarilho

Por onde andas que não te vejo parar aqui?
Estarias a andar pelo mundo a procurar
Algo que por acaso não encontraste em ti?
Como se vida fosse estar pelo mundo a vagar!

Andarilho, o que procuras não está no lar
O que te move é o desejo de construir
No caminho, algo que estás a cantar
Que troças na tua mente e quase se ri de ti

É como se o desejo fosse uma incomum ilusão
Que faz crer que toda distância constrói o teto
Que todo caminho perfaz o coração, no chão

Faz-te crer que ao andar escreves o teu soneto!
Como se a morte se movesse na contramão
Mas é que, na verdade, só escreves o teu epíteto.





*Escrito na madrugada de 22 de set de 2015.

Segredo Secular (A aventura de um alienígena que mora na Amazônia)

Essa é uma história que me foi contada por um alienígena que vive entre nós, como humano, e adora o lugar onde mora, a Amazônia. De vez em quando, ele sai para dar uma volta. Essa é apenas uma das muitas aventuras que ele viveu pela região. 


Peguei um barco em Cotijuba
Depois de uma viagem interestelar
Desci a foz do Amazonas
Arrudiando o Marajó
Atrás de um segredo secular
No ritmo do popopo
Eu vi um boto que fugiu
Mergulhou em direção ao mar
É que ele não queria se casar
Com a filha de Raimundo, um pescador

Segui em direção a Macapá
Onde um antropólogo me entrou
E começou a dissertar
Sobre colonialismo, dádiva e magia
Me ofereceu um pó branquinho
Que trouxera de lá, do Suriname
E eu vi a pororoca atravessar
A maresia em frente a nós
O Mapinguari, eu vi encantar
Emílio Goeldi no Pará!
(Que viagem!)

De voadeira, eu fui a Santarém
Filho de um sojeiro eu conheci lá
Era agricultor no Paraná
Mais veio para cá, colonizar
Um compositor popular
Era o que eu queria encontrar
Diz que tinha muito a me dizer
Sobre a verdade, sobre o amor
Sobre a vida e sobre deus
Sobre os homens e sobre a natureza

Sem resposta, eu fui a Carajás
Peguei a estrada na Transamazônica
Em Marabá, quiseram me vender
Um quilo de ferro como se fosse ouro
Um político me agrediu e disse que eu era louco
“Mais louco é quem me diz”
Já dizia Raul Seixas
Eu respondi, errando a referência
Da Música Popular Brasileira
Cansado eu voltei para Belém!
Queria descansar e me deitar
Uma rede, um açaí.
Mas logo eu senti um vento soprar
Era mais uma eleição! E advinha quem quer ganhar?!
O outro mente pra impedir.
E a gente humilde perde sempre, sempre, sempre.
A nossa vida não tem resposta, terráqueos!
Mais cedo ou mais tarde, a gente volta pra estrada, seja o rio, seja a terra, seja o mar.
Mas agora já deu e vou pegar um trem é pra estrelas.
Vou encontrar com Edmar (Direto pra Saturno!)
Quem sabe eu volte a me casar.
Até a próxima!

Cuidem do lugar onde vocês vivem. É bom demais. O problema são essas pessoas... mas vocês podem mudar isso. Mais tarde, eu volto...


*Letra de música composto em agosto de 2015. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Ela

Ela não é minha
Ela não é sua
Ela só desfila a sua pele nua
Naquele paraíso
Naquele paraíso na terra
Ela não é minha
Ela não é sua
Ela não é de ninguém
Alguém que cruza com ela
Pensa que ela é dela
Mas nem ela é dela também
Ela pura paixão
Ela puro amor
Ela está no corpo de deus
Ela é quem nos diz o que vai acontecer
Ela é quem escolhe
Ela é que atravessa o deserto
Rumo ao paraíso no céu
Ela não lhe deve nada
Ela está dançando
Quando alguém insiste
E ela não está a fim
Ela dá o fora e ponto final
Você não entende
Você tá jogado aos pés dela
Mas você tá errado
Ela não é sua
Ela não é minha
Ela não é de ninguém


sábado, 14 de março de 2015

O poema de hoje


É pra ti
Que me diz para esperar
Eu sei
O mundo lá fora não esperar
E eu te espero aqui dentro
Onde o encontro é comigo
Já foi consagrado
É pra sem ti
Que eu te digo para não me esperar
Eu não sei
Eu estou aqui e eu te espero
Eu te tenho aqui, entro
Onde me encontro conosco
Já foi consumado
É pra sentir
Que eu te digo que eu sou estar
Nós somos agora o que somos
Nós somos dentro de cada um de nós
Onde o encontro não há
É pra fazer acontecer
Hoje, eu e você

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Supernovas

Se você quiser
Eu te acompanho pra outra
Dimensão
Distante do universo
Em desencanto
Se você quiser
Eu atravesso
As portas da percepção
Pra te levar comigo tão distante
Meu amor,

Supernovas hão de iluminar o céu
De nós dois



*Virou música em 2007, mas não estou achando a gravação. 

Musas, divas, sereias...


Todas as mulheres do mundo
Ao meu redor
Posso senti-las acariciando meu ego
Fraco de amor
Eu posso gozar em cada uma delas
E fecundar cada dor
Eu posso sentir a angústia e a humilhação
Eu posso sentir o prazer e o poder
Eu vou acariciar os seus ombros
E recostar o rosto em seus colos
Como se cada uma delas fosse minha mãe
Eu sou o feto que elas trazem no útero
Sou a criança que chora por seu mamilo
Sou o homem abandonado, dormido na calçada
No rosto da modelo, na mão da costureira, no olhar da fotógrafa
No bom gosto questionável da estilista
Eu estou em todas as mulheres do mundo
Eu estou no mundo, nas ideias, nas guerras, eu e todas as mulheres do mundo.
Minhas
Mães
Sofridas
Confortadas
Que outros homens escravizaram
Que escravizaram seus filhos
Por rancor
Eu lhes ofereço meu amor e
Meu pau meio duro
A minha virilidade, o que sobrou da minha, da tua castração
O tapa na cara da tenebrosa Medusa
Um tiro no corpo dilacerado de Orfeu
Vanessas, Carlas, Letícias, Lucianas, Olívias, Geovanas, Lívias, Andréas, Gabrielas, Cecílias, Marias, Anas, Luanas, Sônias, Isadoras, Jocastas, Amandas, Marilenes, Catarinas, Suelis, Julias, Simones, Emílias, Amélias, Izabelles, Julianas, Leilas, Sandas, Tanias...
Musas, Divas, Sereias, Bruxas, Bacantes, Ninfas...
Todas lindas em suas imperfeições.
Todas desgraçadas em suas belezas.
Todas as virtudes e vícios que não cabem em um milhão de homens.
Eu e elas.

Escravos de nós dois. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Um ou dois poemas para...

Vou te escrever um poema
Um que te faça lembrar quem és
E quando terminares de ler
Estarei escrevendo outro
Para que possas lembrar de quem sou
Essa diferença pode ficar confusa
Em um só poema
Pois que transferes, vai saber
O eu poético ao teu alter ego
Na dinâmica do diálogo lírico
Nós nos perderemos, é possível
Mas a chance de nos encontrarmos 
Será maior
Senão, eu contigo
Quem sabe, tu  consigo
E eu, comigo
Havemos de trilhar, na poesia
Caminhos semelhantes, mas diferentes
Que nos levem pelo mar, ou pelo ar
Mas sempre dentro da nossa imaginação
A nos trazer de volta ao centro de tudo
Tu

Que não estás aqui agora