quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Musas, divas, sereias...


Todas as mulheres do mundo
Ao meu redor
Posso senti-las acariciando meu ego
Fraco de amor
Eu posso gozar em cada uma delas
E fecundar cada dor
Eu posso sentir a angústia e a humilhação
Eu posso sentir o prazer e o poder
Eu vou acariciar os seus ombros
E recostar o rosto em seus colos
Como se cada uma delas fosse minha mãe
Eu sou o feto que elas trazem no útero
Sou a criança que chora por seu mamilo
Sou o homem abandonado, dormido na calçada
No rosto da modelo, na mão da costureira, no olhar da fotógrafa
No bom gosto questionável da estilista
Eu estou em todas as mulheres do mundo
Eu estou no mundo, nas ideias, nas guerras, eu e todas as mulheres do mundo.
Minhas
Mães
Sofridas
Confortadas
Que outros homens escravizaram
Que escravizaram seus filhos
Por rancor
Eu lhes ofereço meu amor e
Meu pau meio duro
A minha virilidade, o que sobrou da minha, da tua castração
O tapa na cara da tenebrosa Medusa
Um tiro no corpo dilacerado de Orfeu
Vanessas, Carlas, Letícias, Lucianas, Olívias, Geovanas, Lívias, Andréas, Gabrielas, Cecílias, Marias, Anas, Luanas, Sônias, Isadoras, Jocastas, Amandas, Marilenes, Catarinas, Suelis, Julias, Simones, Emílias, Amélias, Izabelles, Julianas, Leilas, Sandas, Tanias...
Musas, Divas, Sereias, Bruxas, Bacantes, Ninfas...
Todas lindas em suas imperfeições.
Todas desgraçadas em suas belezas.
Todas as virtudes e vícios que não cabem em um milhão de homens.
Eu e elas.

Escravos de nós dois. 

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