minha ansiedade revira a noite
vermelhos
meus olhos viram fora da órbita
reviram as minhas entranhas
sonho
acordo
vejo tua pele branca refletida no espelho do teto
memórias
em que beijo tuas pernas como quem tem a noite inteira
um centímetro de cada vez
sem repetir o mesmo pedaço, eu te como
como quem tem a vida
te devoro
como quem não tem mais nada
provoco a inveja
provocas o ciúme
que ilusão deliciosa
mas não importa porque te amo
no espaço do nosso vão
onde nos encontramos por acaso
por ironia do desejo
nos enlevos das tuas curvas
nas fotografias superexpostas da tua pele
procuro meu recado
para fazer amor
o que é preciso?
dois corpos, uma mentira
sei que há uma só verdade
no vão de nós dois
como na água da piscina
há algo submerso prestes a emergir
acordo!
quero dormir, mas o sono não vem
os versos me levam para onde eu possa refletir
não pergunto quanto tempo temos
na hora não há razão que possa dizer
não é razão para decidir
os amores sempre vencem pelo cansaço
depois do gozo
o corpo pede descanso
acalmam as entranhas e voltam os olhos na órbita
e, então, o sonho vem
*Agosto de 2008
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